Politica Externa
10/02/2010 - 18:15:48 - Agência Brasil | Envie a um amigo
Amorim nega pressão sobre Brasil para impor sanções contra o Irã
O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, negou hoje (10) que o Brasil esteja sendo pressionado pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE) ? liderada pela França, Inglaterra e Alemanha ? para impor sanções econômicas ao Irã. A ação coordenada pelos países ricos seria uma reação à decisão do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de enriquecer o urânio a 20%, levantando suspeitas sobre fins não pacíficos do programa nuclear do Irã.
?Se há essa pressão, eu não senti. Há muitos artigos publicados na imprensa. Não percebi essa pressão?, afirmou Amorim. Para ele, há espaço para negociações e impor sanções neste momento não seria o caminho adequado.
Os governos dos Estados Unidos e da França lideram um movimento para que a comunidade internacional pressione o Irã a recuar na decisão de enriquecer o urânio. As alternativas de sanção vão desde imposição de subsídios a combustíveis até punições a uma empresa de construção iraniana.
O assunto deve ser tema de uma rodada de discussões do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O conselho é formado por 15 países, dos quais cinco são permanentes: Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China. Quatro deles são favoráveis às restrições - o conselho já impôs três rodadas de sanções contra o Irã.
Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ir ao Irã. A visita é uma retribuição à vinda de Ahmadinejad pelo Brasil, em novembro do ano passado. De acordo com o governo brasileiro, é fundamental a manutenção do diálogo como forma de cooperar para as negociações entre iranianos e a Organização das Nações Unidas (ONU).
O chanceler defendeu ontem (9) o esforço pelo diálogo com o governo de Ahmadinejad. ?Por tudo que ouvi, ainda há campo para negociar com base na proposta que foi feita pelo ocidente?. Segundo ele, o governo do Brasil se dispõe a ajudar no diálogo. ?O Brasil está disposto a ajudar nesse diálogo. Evidentemente tem que ter disposição de todas as partes.?
Para Amorim, os riscos causados pelas sanções são incalculáveis. ?Não acreditamos que as sanções vão ter resultados.? A imposição do embargo econômico, assinalou, acarretaria uma série de consequências, como ocorreu com o Iraque, onde houve elevação da taxa de mortalidade infantil e desabastecimento de água potável.
O ministro sugeriu que os especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) marquem uma nova visita ao Irã para vistoriar as usinas e checar os reatores, uma vez que há suspeitas que o urânio enriquecido será usado para a fabricação de bombas.
?Se o presidente Ahmadinejad disse que eles estavam dispostos a entregar urânio antes e receber o combustível, acho que o diretor da agência de energia atômica [Yukia Amano] teria de ir lá [no Irã] e checar para ver onde está a dificuldade?, afirmou Amorim.
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